Os sonhadores correm o risco de verem coisas que não existem.
Como sou um sonhador, vou correr o risco de contar o que vi, sabendo que minha mente sonhadora pode ter me levado a ver coisas de uma forma que pareça exagerada.
Estava olhando para um casal de macacos prego contidos numa ilhota do Zoológico do Parque Estoril. Muito negros e de rabos longos, a fêmea permanecia sentada imóvel e cabisbaixa em frente a casa que serve de abrigo, enquanto o macho, todo serelepe, passava na sua frente indo de um lado para o outro procurando aproveitar ao máximo o exíguo espaço que lhes foi conferido.
Numa dessas passagens ele tocou a cabeça da fêmea e ficou parado algum tempo, os olhos fixos um no outro. Será que ele catou um carrapato, nada mais do que isso? Ou será que foi um afago?
O que mais chamou a minha atenção foi a reação dela depois desse gesto. Foi como se tivesse sido tomada por uma nova energia. Levantou-se e começou acompanha-lo em volta da ilhota. Eu fiquei pensando nos breves momentos que podemos ter na nossa vida e que podem mudar o nosso humor, emoções e sentimentos, trazendo a alegria de volta e mudando a nossa motivação.
Todos nós precisamos de graça, gentileza e toques que tem o poder de renovar as nossas emoções, reacendendo o desejo de participar da vida.